domingo, 16 de agosto de 2026

Museu dos links quebrados

Revisitando umas postagens mais antigas desse blog, estou me deparando com uma grande quantidade de imagens quebradas, links para páginas que não existem mais, vídeos excluídos.

Até gostaria de repor tudo que for possível, mas vai ser um processo lento, porque, ou reviso todo meu blog ou eu escrevo postagens novas, não consigo achar tempo para os dois. 

E, mesmo que eu passe o pente fino nele, certamente vai ter mídias perdidas para sempre entre as postagens. Principalmente de fontes externas.

Apesar de eu ter a opção de tirar esses posts do ar, colocando como rascunhos, eu gosto da ideia de mantê-los, como um retrato do seu tempo, como uma peça da minha história e da história da internet.

Mesmo que eu já não sinta identificação com aquilo, não vou remover por me aproveitar do fato de que alguma parte da postagem está inacessível, porque, quando eu abordei esse assunto na época, significava algo para mim. Esse é o objetivo de um blog, de um diário, de um registro cotidiano. Porque, em algum momento, naturalmente o cotidiano se transforma, e o passado perde seu sentido no presente, mas nunca dentro do percurso inteiro de uma vida.

em 2007,2008,etc eu era assim e assado. Agora é 2026, como não morri, não permaneci completamente a mesma, mas sei respeitar minhas versões anteriores.

E, apesar dos links quebrados, a mera presença deles nessas postagens antigas é uma prova de um dia eles existiram, de que fizeram parte de uma internet que desapareceu, são marcas deixadas por pessoas que talvez nem suspeitem de que aparecem aqui, em um blog qualquer de uma pessoa comum. Muita gente que, como eu, viu a internet surgir, crescer e prosperar e depois se transformar a partir de um tipo de rompimento sabe que, nessa ruptura, muita coisa ruiu, muita coisa se perdeu. E algumas delas estão aqui, preservadas como fósseis.

 E meu relacionamento com tudo isso ainda não é harmonioso. Meu blog tem uma vida só dele, e por mais fascinante que isso seja (quando observo as informações de estatísticas), também me bate um receio, uma estranheza...

Não sei se seria isso que eu sentiria também se fosse uma artista assistindo as pessoas visitando minhas obras em um museu. 

Destaque da Playlist: Julho

   .   * ✸✯ ✯ . JuLHo °  ★°·.   .

Postagem atrasada, mas não por descaso.

BBGIRLS - BODY WAVE

Mantendo a tradição

 

BB GIRLS - BODY WAVE

O verão setentrional sem um comeback de BB GIRLS não é um verão de verdade. Ano passado, não teve... por isso, em 2026, talvez sejam elas as grandes responsáveis pela onda de calor absurda que os gringos estão passando, já vieram com um hit de verão sexy, divertido, jovial e nostálgico (ao mesmo tempo) para compensar a ausência.

Eu fui fisgada primeiro pelo MV, porque gostei demais de ver um produto artístico dentro do K-Pop voltado claramente para o público 25+. No vídeo, vemos jovens adultos, homens e mulheres, vistosos, cheios de personalidade, naquele pique de gente confiante e descolada dos anos 80 (me faz pensar um pouquinho em "Physical" da Olivia Newton-John).

E a música transmite um calor, uma energia, mas não é exageradamente animada, a base eletrônica suingada se conecta ainda mais com a referência dos anos 80. O refrão é exatamente o que se espera de uma música de verão para cantar e dançar com a turma inteira, todas cantando em coral, repetitivo sem enjoar, com um hook que embala sem esforço. O final apoteótico cria uma boa ponte para você começar a ouvir a música de novo.

Elas fizeram valer a espera.

PLAYLIST COMPLETA 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

Japão

 

Ver no Threads

Eu aprendi muito com o Japão, mesmo sem nunca ter ido lá.
Mesmo assim, faz tanto tempo que nossa amizade começou, que é como se tivéssemos crescidos juntos.
Era sobre isso que eu estava falando quando postei esse comentário no Threads.
Quando eu era pequena, meu pai trouxe uns chicletinhos que vinham numas caixinhas quadradas. Os docinhos tinham uma textura diferente de todas as balas e afins que eu já tinha visto. Elas tinham um cheiro e um sabor que eu nunca tinha experimentado antes. Até hoje não sei que palavra usar. 
Mas se eu encontrasse essa palavra, eu sei que ia usá-la para explicar o sabor de Ramune.



Esses chicletinhos em caixinha eram do Japão. Meu pai trabalhava com comércio exterior e ganhou os chicletes de algum colega de trabalho e trouxe para mim. Nas caixas, tinha os desenhos de uns dinossaurinhos bem fofos. Isso foi no início de 1990.
Aquele doce era do Japão, de um lugar tão longe de mim, uma criança. Era de um lugar que eu não a menor dimensão de onde era, de como era, mas que me marcou, me intrigou e esse sabor, desse dia, há mais ou menos 30 anos, é o sabor que o Japão tem para mim até hoje.
É ácido, azedo, doce, metálico, fresco, melancólico, amargo e nostálgico.

O Japão estava nas decorações de materiais escolares pontuais, como uma mochila, um estojo, borracha... já estava treinada em associar aqueles olhos grandes e brilhantes das menininhas clones da Candy ao país, assim também como bichinhos fofos. Hello Kitty não era tão comum de ser vista, na verdade, a maioria dos objetos com estética kawaii da minha infância vinham da China, e isso só fazia coisas legitimamente japonesas ainda mais preciosas. Mas eu gostava desses bichinhos fofos do mesmo jeito.

Tinha uns coalinhas em um kit, eram muito fofos, ainda guardo as lapiseiras.

O Japão para mim era sinal de coisa linda e interessante.

Meu segundo contato substancial com a cultura (ou uma noção dela) foi através do programa Rá-Tim-Bum da Cultura, quando em um dos "Senta, que lá vem história", trouxeram a aventura de duas irmãzinhas na Liberdade.

Naquela época, eu via as imagens na televisão, eu sabia que era aqui no Brasil, que era em São Paulo, mas estava tudo envolvido naquela névoa do fantástico natural das crianças, natural do Rá-Tim-Bum, e ficava idealizando aquele lugar, observando com atenção redobrada as paisagens daquela cidade, vivendo o que estava assistindo.

Você pode assistir o episódio completo, e a história começa no minuto 11:11.

E não podemos esquecer de mais uma influência importante para mim.

Para a gente ver como tudo que acontece na infância define tanto da gente: Jaspion!

Eu amava assistir, apesar de não lembrar mais de nada, amava a música da nave, amava o personagem, o robô, a performance, o drama... era tudo arte para mim.

O Japão esteve comigo nessa fase e, por isso mesmo, eu sempre fui vidrada por ele e sempre procurava estar perto e ter tudo que eu podia que se relacionasse ao país.

Acho que essa obsessão é até normal entre as pessoas da minha faixa etária, todos nós assistimos as mesmas coisas, a mídia não era tão pulverizada. Os heróis, as revistinhas... a gente estava exposto às mesmas modas e apelos, e no geral, na nossa cultura pop, ou esses vinham dos Estados Unidos ou do Japão.

Só que para mim, pessoalmente, tudo significou mais. Com a internet, eu me envolvi mais com os animes, mangás e música japonesa, com a cultura, com o folclore, com os costumes. E, convivendo com tudo isso enquanto crescia, eu sinto que assimilei muito de tudo na minha personalidade, na forma de ver o mundo, de me sentir em relação a experiências.

Eu nunca visitei o Japão e talvez nem nunca tenha a oportunidade. Mas vou sempre ser fascinada por ele. Uma parte minha se sente conectada a esse lugar sem esforço ou motivo especial.

Tudo começou com o gostinho de ramune.