quinta-feira, 7 de maio de 2026

Destaque da Playlist: Abril

   * ✸✯ ✯ . ABriL °  ★°·.   .

 IRENE - Face To Face

 

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Tem alguma coisa de muito misteriosa sobre essa música. O instrumental dela obriga você parar para prestar atenção. Eu lembro quando coloquei o álbum para ouvir, essa música me fez parar o que eu estava fazendo para ler o nome e ali mesmo já tinha decidido que era a minha favorita.

No YouTube, as pessoas dizem que é uma canção majestosa, cinemática, retrô, moderna... ela é tudo isso, e, ao mesmo tempo, tão sutil, tão sinistra, tão sinuosa (as palavras com inicial "s" foram uma coincidência).

O refrão tem uma angústia dolorida, mas não desesperada, na voz da Irene, porque é o instrumental que marca a sensação de urgência.

Sem nos sobrecarregar, a música está o tempo todo dando o tom da importância, do drama e da pressa, e a voz dela vai fluindo leve, cadente e etérea em cima desse... tanque de guerra que o instrumental cria para transportar o canto emplumado.

O início é uma delícia e deságua em uma finalização tão satisfatória quanto.

Capa do álbum "Biggest Fan"

PLAYLIST COMPLETA

sexta-feira, 24 de abril de 2026

2025, o início da minha presença online

Em 2025 eu criei a segurança de sair de um limbo.

Eu sou uma pessoa comunicativa, gosto de conversar, mas, na vida real, eu sou mais introvertida do que gostaria e acabei assumindo o papel de ouvinte que a maioria das pessoas impôs em mim. Não que eu não goste de ouvir, na verdade, gosto demais, porém não gosto nada de como sou recebida quando quero falar (não ouvem, não ligam, não deixam eu falar).

Na internet, sempre participei de algumas comunidades, mas não no intuito de fazer amizades, apesar de ter feito algumas, ainda assim. Amizades que prezo muito até hoje, mesmo aquelas que se distanciaram naturalmente. Assim, eu costumava comentar de forma limitada em fotos e tópicos (fóruns raízes), especialmente de usuários com quem eu já tivesse um contato mais frequente dentro da comunidade ou em eventos específicos dentro dessa comunidade.

Amava, por exemplo postar os dress-ups semanais de Poupée Girl na comunidade do Live Journal e deixar reviews no FanFiction.net. Mas não passava disso. Onde fui mais ativa mesmo foi na Minitokyo.net. E ainda assim, comparada com tantos usuários, deixava a desejar.

Criei esse blog e os comentários em maioria foram, quando aconteceram, de amigos da vida real. Assim, eu diria que, até essa época, apesar de eu ter pouca presença, ela era consistente e saudável.

Aí, veio o apagão. Perdi total a vontade de comentar, de me expressar (o blog parou, a vida aconteceu, a saúde mental apodreceu, comunidades fecharam). Nem nas reuniões na congregação eu comentava mais (ainda estou trabalhando nisso).

O uso do Tumblr colaborou muito para esse apagão, porque lá o que mais gosto é ver e reblogar as fotos, o que exige zero de acréscimos da minha parte. Eu ainda continuo amando esse tipo de consumo passivo de rede social e afins, e provavelmente vai seguir o meu principal modo de navegação, mas desde o ano passado, eu comecei a ter a vontade de falar algumas coisas em algumas postagens.

Começou com eu comentando em todos os vídeos de um canal que eu gosto muito. Mas, pela falta de validação, eu parei. Isso foi antes de 2025, porém.

Quando chegou o Threads, decidi levar o negócio a sério. Seria a primeira vez que eu ia pegar uma rede social do começo, e ali resolvi começar a escrever e ser franca (com bom senso) como eu era aqui. Decidi que ia usar a rede mesmo e nem ligar para validação.

Aí, percebi que conseguia usar frases de efeito legais e fui deixando uma ou outra em vídeos de música no YouTube. Ou, quando algo me chamava muito a atenção, comentava isso.

Um parênteses: apesar de eu ser comunicativa e ter raciocínio rápido para sacadas, a minha neurodivergência e traumas acumulados mexeram com meu cérebro e, na vida real, eu passo muito tempo em um desses dois modos:

Escrevendo, eu me saio melhor, mas nem sempre. Como fui condenada a ser ouvinte e perdi assim a prática de desenvolver meus raciocínios apropriadamente, escrever foi um lugar onde me desenvolvi bem. E, falando sério, eu amo escrever. Agora, voltando ao nem sempre. Tem postagens, tem textos, tem coisas que eu escrevo e não consigo gostar, não consigo achar clara ou interessante. Já falei disso bastante aqui no blog, inclusive, e essa sensação negativa foi um dos motivos de eu parar de blogar.

Então, escrevendo em posts no meu Threads desde o ano passado, estou recuperando minha vontade, alegria e habilidade de comentar, mas sem compromisso. Sem necessidade de retorno, sem necessidade de me projetar, sem necessidade de ser coerente. Também, estou recuperando o meu "brilho". Não comentar, não poder me expressar, estava anulando minha personalidade. Recuperando, sem pressa e sem pretensão, a minha "voz", tendo coragem de compartilhar minhas ideias, devagarzinho está dando uma lustrada na minha autoestima.

E é por isso também que, quando vi o apelo da Lilly para a gente voltar a blogar, e assistindo todo esse movimento pró mídias analógicas e nostalgia Millennial, eu resolvi reabrir o blog. 

Porque aqui eu posso escrever mais, para mim mesma, e, de forma pública, de alguma forma participar do grande coletivo que é a internet.

E, digo mais: até no Tumblr estou postando. Comecei um projeto descompromissado de postar imagens lá para protegê-las de não virar lost medias aqui nos meus HDS. 

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Microcosmo

Esse post está em rascunho faz meses... Só que essa semana estava conversando com uma amiga e vi que ela também compartilhava da impressão que eu tenho ao ver uma calçada quebrada, meio "abandonada" e as plantinhas crescendo pelos vincos, entre os cacos de cimento, vicejando, florindo.

Essa estética não é nova, acho que vem até de um cenário distópico no qual a natureza reclama seu espaço em meio a civilizações falidas.

Só que tinha algo especial na esquina que você vê na foto abaixo e me inspirou esse post, semanas atrás. 

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A volta toda estava tomada pelo crescimento do matinho. Matinho é eufemismo, como dá pra ver. As moitas batiam nos meu joelhos, e, se você as olhava de cima, a folhagem densa não deixava ver o chão.

Nesse dia tinha chovido, e a vegetação estava ainda mais feliz. Em dias de clima assim, eu andava pelo asfalto mesmo, mas, se tudo estava seco, passava pela calçada, entre as moitas, cuidando para não pisar em nada, fingindo que eu era a Fräulein Maria nos gramados alpinos (romantizando a vida ao ponto de delulu).

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E o que me surpreendia, o que me admirava, o que me alegrava, era ver sair de entre as folhagens rolinhas e acompanhar o balé das borboletinhas. Não tinha um dia em que eu não passasse ali e fosse assaltada pelos passarinho assustados ou distraída pelos insetos. Isso me fascinava. Me comovia.

Em uma esquina com mato espontâneo e indesejado havia um mundo. Só isso era necessário - só uma esquina com capim - para atrair os passarinhos e as borboletas. Amava a sensação de passar ali, curiosa sobre o que iria encontrar, apreciar o contraste do concreto com o verde caótico. Pensava como o contato com esse verde rústico faz bem e faz falta e percebia como era rápido para a natureza se regenerar e retomar de onde parou no dia que foi urbanizada.

Mas, no dia seguinte a essa foto, logo de manhã, encontrei toda a esquina limpa e carpida.