Esse post está em rascunho faz meses... Só que essa semana estava conversando com uma amiga e vi que ela também compartilhava da impressão que eu tenho ao ver uma calçada quebrada, meio "abandonada" e as plantinhas crescendo pelos vincos, entre os cacos de cimento, vicejando, florindo.
Essa estética não é nova, acho que vem até de um cenário distópico no qual a natureza reclama seu espaço em meio a civilizações falidas.
Só que tinha algo especial na esquina que você vê na foto abaixo e me inspirou esse post, semanas atrás.
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A volta toda estava tomada pelo crescimento do matinho. Matinho é eufemismo, como dá pra ver. As moitas batiam nos meu joelhos, e, se você as olhava de cima, a folhagem densa não deixava ver o chão.
Nesse dia tinha chovido, e a vegetação estava ainda mais feliz. Em dias de clima assim, eu andava pelo asfalto mesmo, mas, se tudo estava seco, passava pela calçada, entre as moitas, cuidando para não pisar em nada, fingindo que eu era a Fräulein Maria nos gramados alpinos (romantizando a vida ao ponto de delulu).
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E o que me surpreendia, o que me admirava, o que me alegrava, era ver sair de entre as folhagens rolinhas e acompanhar o balé das borboletinhas. Não tinha um dia em que eu não passasse ali e fosse assaltada pelos passarinho assustados ou distraída pelos insetos. Isso me fascinava. Me comovia.
Em uma esquina com mato espontâneo e indesejado havia um mundo. Só isso era necessário - só uma esquina com capim - para atrair os passarinhos e as borboletas. Amava a sensação de passar ali, curiosa sobre o que iria encontrar, apreciar o contraste do concreto com o verde caótico. Pensava como o contato com esse verde rústico faz bem e faz falta e percebia como era rápido para a natureza se regenerar e retomar de onde parou no dia que foi urbanizada.
Mas, no dia seguinte a essa foto, logo de manhã, encontrei toda a esquina limpa e carpida.


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