Tive oportunidade de ver a vida por um novo ângulo. Mania inexplicável de me colocar no lugar e vivenciar com intensidade o que não é meu. Fiquei meditando sobre minhas atitudes no lugar dela. Seria eu tão forte? Guerreira? Decidida? Seria eu tão mulher quanto ela, tão corajosa?
Cerejeira rosa
em flor efêmera
beleza perpétua
Aprendi muito. Nunca fiquei tão grata. Entendi o que achava incompreensível. Tive a feliz oportunidade de ter tanto, ganhei tanto com o que achei ter sido vão! De repente, o querer e não possuir se tornou supérfluo: não, eu não vivo isso. Meus problemas empalideceram - eu não tenho nenhum.
E vi que o amor tem muitas formas. Vi que amar não é viver o amor, mas senti-lo. E quem é que não ama? Isso, com certeza, nasceu com cada um de nós, não me importa o que os especialistas digam. E isso nos alimenta. É pelo amor que estou viva agora, que existo, e também é porque amo.
Percebi que muitas vezes, a água é mais intensa que o fogo, vai mais longe que qualquer chama através de sua fluidez versátil. Ser gentil e humilde traz recompensas que nada mais produz. Se revoltar contra o imutável não leva à nada, a não ser à dor, mas ter autodomínio te faz suave e brando de modo que por mais que se morra interiormente, torna-se resistente, engrandecendo o espírito.
Me encontrei apreciando memórias alheias, numa noite de segunda-feira.
O hai-kai partido ainda é melodioso, mesmo que triste e sem propósito. Me compadeci dele e de sua beleza desperdiçada. Meditei no que ele tentou transmitir, lhe sorri compadecida, tentando imaginar como seria se fosse completo, se tivesse sentido. Seu rosto era o da mais perfeita fineza, mas seu coração era hostilizado e, por isso, mal. O hai-kai partido fez parte do hanami ao qual compareci. Embora ele chamasse muita atenção, tudo apenas aconteceu por causa da cerejeira mais bonita do jardim. Nesse festival vi tudo florido, lindo e rosa em glória, e logo em seguida vi tudo murchar.
Durante duas horas desfrutei a beleza e suavidade gentil da efemeridade profunda do coração de uma mulher em meio ao exotismo interessante de um estrangeiro distante, mas cenário de temas universais. A cinderela gueixa, Sayuri, teve seu final agridoce, porque afinal, a felicidade não é feita só de flores.
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Texto do dia"Andarão atrás de Jeová." - Osé. 11:10