Tem certas pessoas que atraem. Testemunham com você sem motivo aparente. Nem sempre são deslumbrantes ou bem-sucedidas, mas é alguma coisa interna que atraí e embeleza todo o ser. E então você percebe que gostaria de poder passar mais tempo com essa pessoa que te parece tão especial. Quer conhecê-la, descobrir quem é. Decide que deseja que outras pessoas já conhecidas suas precisam entrar em contato com ela. Uma coisa que você sente e que te impele. Uma sensação que, interessantemente, pode durar só um instante.
É como se você olhasse para aquela presença que esteve em sua vida todo o tempo e de repente, por um pouco, nota o quanto é importante e insubstituível. Poucas são as coisas assim. Por isso, naquele momento, talvez único, você resolve apreciar o valor.
Foi meio isso. Num relancear rápido eu o achei, me parecia mais bonito do que nunca. Era difícil dizer que era o mesmo de sempre. Era? Já faz um tempo que não falo com ele. Sua voz é igual a de uma outra pessoa. Sempre me dá uma má impressão. Me faz procurar alguém que não é ele quando estamos no mesmo ambiente. Divertido! Tem um jeito maroto de ser e leve, despreocupado. E me intriga sobre o que passa em sua mente distante.
Mas não é dele que vim falar, mas do que ele evocou. Será que isso é coisa da idade? Com certeza é tolice! Um pensamento que nasceu quando olhei as costas dele. Um pensamento que nasce por qualquer relance, qualquer motivo, às vezes frívolo, às vezes tão imperceptível para os outros e que faz tanta diferença num minuto.
Como somos influenciáveis! Segundos podem fazer diferença em nossas decisões, porque um pequeno desvio no curso nos pode direcionar para um caminho completamente diferente quando estas sensações são levadas em conta.
Ele não era quem eu esperava ver, mas estava lá... Ele era só alguém com quem eu mal falava, e de repente, ele foi algo demais...
Algo demais para quê? Isso não tem resposta porque não tem sentido. Não somos nada um para o outro do que meros conhecidos. Isso não me afeta em nada. O coleguismo dele é apreciado por mim como de qualquer outro. O que há de especial nisso? Quase, quase nada. Todos os amigos são especiais, uns mais que os outros entretanto. E assim, concluo que qualquer um pode ter um momento desses na minha vida. Quando olho, não só vejo como enxergo.
Foi coisa de momento. Não teve causa ou conseqüência, um momento de vazio, um estacionar de tempo. Vi um potencial. Senti. E logo depois tudo isso fugiu de mim se tornando tão presente quanto algo inexistente.
Foi como quando andei na chuva ontem à noite e murmurei: "neve...". O que significou para mim aquele momento foi tão momentâneo que o voltar atrás em pensamentos já não significa mais nada.