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Chung Ha - México
Quando vi o anúncio desse título, fiquei com medo do clichê, da abordagem rasa, até da apropriação cultural. Fiquei resistente. Mas era a Chung Ha, eu precisava pelo menos ouvir uma vez, dar o benefício da dúvida. Para mim, se existe alguém herdeira da BoA, é ela.
Confesso que estranhei a música, que não a achei à altura de outros lançamentos dela, sem julgar a canção ruim, só... não consegui gostar de cara.
Mas a voz da Chung Ha é irresistível e voltei para a canção outras vezes através das promoções nos music shows, também conferi suas versões de letra inteira em inglês e em espanhol (a bilíngue ainda é o maior acerto) quando o single saiu.
O sentimento que a música trazia era intenso e sincero, um desespero charmoso, conseguindo colocar o drama hispânico na medida, e por fim foi mesmo a coreografia que contribuiu para a minha aceitação da música.
Eu sei que não tem nada a ver, estou falando do som, mas ver ela cantando enquanto interpretava junto do corpo, com o vigor do flamenco, o carão, besuntando tudo com o seu timbre melífluo, criava o sentido que faltava para eu entender a proposta da música e enfim ser encantada por esta.
Acho a abertura linda, o instrumental (como dizíamos antigamente, o toquinho) envolvente complementado a seguir pela voz soprosa. A letra com a descrição de um lugar de água fresca em meio a aridez faz a imaginação trabalhar.
O refrão já vem com uma quebra mais enérgica, hook instrumental, tudo muito cheio de movimento. Para mim, é nisso que a música te ganha, na sinestesia. Porque mobiliza seus sentidos quase de uma vez.
Achei, enfim, uma composição primorosa.
