terça-feira, 16 de outubro de 2007

Faca na Caveira

Quando assisto a um filme não ajo como se olhasse apenas para algo simplesmente passando diante de meus olhos, mas leio e me envolvo como se fosse um livro que estivesse imaginando as ações e me aventuro a prever muitas das reações. Assim como um livro pode ser o meio de transporte para viajarmos para algum lugar, os filmes nos levam até realidades completamente diferentes.

Como todo mundo está falando dele, vou falar também.

O que senti ao assistir "Tropa de Elite", desta forma, foram os tremores que cada uma das partes passou e experimentou no decorrer do drama do filme, este apelando muito mais à mente do que as brutais cenas de violência. Nenhuma das atitudes dos personagens é realmente algo para se admirar, e a missão do filme aparenta ser documentar uma realidade que soa fictícia, mas não é.

A abordagem do filme é interessante com a objetiva da câmera fazendo de você um observador presente em cada cena e as imagens são de uma película estranha que parece de novela, e ao mesmo tempo, de reportagem. Tudo é exagerado para pender, não para o lado da idealização hollywoodiana, mas para a verdade muito mais crua e nua do que se espera. Não há panos quentes.

O filme segue baseado em um looping na história, que começa do meio e então retorna para contar tudo o que aconteceu desde o início. Existem também algumas repetições de imagens e cenas que não passam de flashes, mantendo o compasso do roteiro dinâmico e acelerado, a ponto se poder se sentir que nenhum minuto da fita foi desperdiçado com alguma cena fora de questão. A narrativa não-linear cativa e ajuda o ritmo tenso do filme se prolongar ainda mais com a ajuda da narração irredutível e rude do Capitão Nascimento.

E por falar nele, é preciso lembrar-se da forma com que Wagner Moura deu vida ao personagem pivô da história. Não conheço o trabalho dele porque não assisto novelas e não acompanhei a série sobre o JK, mas me sinto em posição de julgar como respeitável sua atuação. O Capitão Nascimento vive dois climas: um de irracional fúria ardente e outro de uma culpa dilacerante que ele sente ser seu único inimigo, ele soa frio e quente praticamente durante todo o filme, mantendo a voz forte, alta e imperativa e o vocábulo de baixo calão e desrespeitoso que se espera de um capitão de coração frio de uma tropa que não tem objetivos de paz.

A atuação de André Ramiro e Caio Junqueira de dois os aspirantes, Matias e Neto respectivamente, se aproxima de convencer, mas diverte, porque há um descabido lado bem-humorado no filme. Desde o início eleitos como os únicos capazes de sucederem o Capitão Nascimento na Tropa, os atores tiveram a dura tarefa de incorporar a força de vontade, a expectativa e a firmeza daqueles que se esforçam em alcançar a mosca do alvo através da passagem por desafios de dificuldade aparentemente insuperável.

Mas as pessoas na história do filme parecem ser o de menos quando comparadas com a ação ocorrente, que provoca uma resposta a ecoar no espírito de cada personagem, e o ciclo de vingança sobre vingança que compõe a guerra do narcotráfico. É como se tudo realmente fosse obra do acaso, como se aquilo pudesse acontecer com qualquer um e repetidas vezes e polícia e criminoso se mesclam e se revezassem no foco principal incapacitando a decisão sobre quem consegue ser mais desumano, embora todos sejam humanos com medos, desejos e defeitos.

O filme é bom? O filme é bom. Mas quem assiste é que decide, porque a polêmica que é levantada atira para todos os lados e não pergunta antes, feito o BOPE.

4 comentários:

Rodney Hanter Porlok disse...

Que tosco... você nunca vai ser critica de cinema ein, isso eu tenho certeza... xD
Falou e falou e não deixou claro nada sobre o filme.
Primeiro você precisa saber mais sobre o filme e sobre a idéia por trás dele, e tentar transpor isso ao texto.
Segundo você precisa mais de pontos de comparação. Por exemplo, seria bom se você tivesse assistido mais filmes do Padilha e mesmo usado alguns outros filmes nacionais sobre o assunto.
Mas tudo bem, eu te perdoarei. Até porque está chegando a 31ª mostra e eu quero ver nada mais nada menos que 20 filmes no MINIMO... o que acabará com meu orçamento. E também com meu tempo, porque os dias e horários não estão atrativos... e CARAMBA... para de postar... num dá pra acompanhar assim... eu tô com discada viu?
Francamente... xD
Mas eu não vou fazer reviews do Tropa no blog, depois que eu assistir nóis discuti ele... ^^
E blablabla... fui

Kyamel disse...

Fala Nique...
Então vc aproveitou o feriadão para ir ao cinema???
Um passarinho me contou que viu vc no cimena 2 vezes....aí eu perguntei:
" - Será que o Comptador dela quebrou???"
srsrsrsrss..............não me leve a mal, é mais um dos meus comentários bestas!!!!
Mas e o desenho???
Ficou pronto???
Bjinhosss...............

Kyamel disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Anônimo disse...

AHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH ...todo mundo falando desse tal de BOPE Ahhhhhhhhhh ....

to com vontade de assisti Agora ta vendo .. hauahuauauhauhauahaa

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