sexta-feira, 6 de julho de 2007

Considerações Teleológicas

Enfim, o fim.
Porque o que é bom também acaba...
Acho que existem coisas insuportáveis nessa vida. Acho que o fim é uma delas. Entretanto, acho também, ao mesmo tempo, que não deveria ser assim.
O assunto não parece redundante? Já falei sobre isso aqui. Mas isso na verdade é apenas oportuno.
O fim - nada mais presente em nossas vidas. Tudo acaba. O que é bom, o que é ruim. Não existe exceções. Quase nada é contínuo, linear. Dessa forma, nada devia ser mais aceitável do que o fim. Por isso me intrigo com o fato de o encararmos tão insuportável e evitá-lo.
Coloquemos a culpa no tempo, então. É ele quem passa sorrateiramente e faz o fim chegar. Pobre tempo! O que é que ele faz demais, a não ser o seu trabalho? Eternizar as coisas -impossível da forma que queremos, sem a corrente do tempo. Não ficaríamos contentes com a mesmice.
O fim não é uma coisa categórica. Quando vem, não interrompe tudo da forma que pensamos. Ele produz tanto quanto um começo, pois afinal, é na sua repercursão que podemos ver em plenitude o resultado de nossas ações. O que ganhamos e perdemos, como mudamos e o que aprendemos só é visível quando o ciclo se encerra.
Ah! Se isso fosse o bastante para se conformar! Mas a sensação da perda é forte, difícil de consolar. A quebra do hábito, o desapegar, tudo consiste num forte trauma, cinzel maior, ferida que demora em fechar. É isso, na verdade, o que dói: esse cicatrizar lento, superficial.
É estranho pensar que agora não vai mais ser como era antes, depois de tanto tempo vivendo dessa forma incomoda não ouvir as mesmas vozes, não ver os mesmos rostos, não saber, não participar mais. E desde já - quanto mais recente, mais intenso - isso me faz falta.
Voltemos a falar do tempo. Se o taxamos vilão de nossa história, nos equivocamos. Seu vôo sempre constante e controlado permite que colecionemos algo que preencherá a falta do que chegou ao seu fim, este natural ou abrupto. Existem muitas coisas inestimáveis, e entre elas, as lembranças.
O álbum de fotografia mais completo. O baú de tesouros sem preço. O obelisco. Caderneta de datas, nomes e endereços. O livro de consultas. Essas são apenas algumas das funcionalidades da memória. Graças a ela, sentimo-nos completos, visto que nos permite reviver uma vez mais aquilo que se foi, mesmo há anos. Apenas uma palavra aos incautos: a memória também condena, e tem em cantos recônditos onde estão armazenados nossos desgostos e amarguras, porque ela não ignora tais coisas, mesmo ao nosso contragosto.
Mesmo assim, quem sabe manejar essa incrível capacidade vive bem, faz amizade com a saudade. E sejamos clichês, visto que se algo é clichê é porque é verdadeiro: "a saudade não existe por que nos separamos, mas por que um dia estivemos juntos." E se você quiser, ela não te machuca. E se você quiser, ela te acompanha sempre para estabelecer uma ponte entre o ontem e o amanhã, para que de repente, se curada, tudo seja como se na verdade o fim nem tivesse sido. E nessa dimensão íntima as coisas não passam. Se hoje nos despedimos, tenha certeza que, reencontrando você - amanhã, semana que vem ou daqui 10 anos - nada mudou, não me esqueci de lembrar o quão importante foi o que vivemos juntos.
E assim, como já declarei acertadamente no início, tudo tem de chegar a um fim. Até mesmo esse texto.

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Texto do dia:
"O homem caminha para sua casa de longa duração." - Ecl. 12:5

8 comentários:

Rodney Hanter Porlok disse...

O_O
Nenhum coment até agora? :O
E eu enrolando pensando: 'Ah! Já deve estar cheio de comentários, o meu nem vai fazer diferença.'
Enfim, ainda não li o texto, mas só me arrumar mais um pouquinho aqui com essa zona de instalar um zilhão de programas de novo e ainda organizar o HD e já leio. ^^
Falando em ^^, eu preciso do emoticon do ^^... hehehe... tentei um backup do MSN mais não deu certo, perdi quase a manhã inteira, ai desisti e resolvi começar a pegar tudo de novo.. xD
Daqui a pouco eu volto... eu acho... =P

Smith disse...

Um salva de palmas para o comentário acima, o mais original possível ¬¬ rsrsrs...
Agora eu ainda me pergunto-me a mim mesmo, de onde virá a inspiração da Cristine? ¬¬
Curioso não, mas isso me fez refletir sobre o quão duro seria deixar todos o amigos que fiz nessa cidade, para mudar de vida.Com certeza o que você falou sobre o tempo e saudade, acabou me tocando ...

seria bom se fosse eterno neh ^^, por isso que eles inventaram as fotos, filmes, e os iPods ... ^^heheheheh

TIA continua escrevendo aew tah ^^ bjus teh +

Rodney Hanter Porlok disse...

Aham... Ok... meu comentário foi apagado não é?
O.k.
Que venha a tona o Anton Ego então...
Primeiramente, sobre o clichê. Não só a frase, mais também aquele fim: 'Tudo acaba, até esse texto' além de clichê ainda tem conclusões erradas. O que faz pensar que por ser clichê é porque é verdadeiro? Quase todos os clichês são o que uma massa determina aceitável, por isso é considerado tão execrável (Sim, só para rimar). Um clichê não é nem de longe verdadeiro, é só uma forma de aceitar algum fato como real, de tentar achar explicação para o que não deveria nem ser pensado. Ou seja, clichê é mediocridade humana, forma inferior de entender as coisas, ou de mostra-las. Só o clichê do texto já mostra as origens dele.
E não fica por menos, o texto realmente trás vários pensamentos ruins, mal elaborados. Num momento se diz: 'A quebra do hábito, o desapegar, tudo consiste num forte trauma, cinzel maior, ferida que demora em fechar. e logo abaixo você nos faz acreditar que essas mudanças é que formam os bons momentos. Incoerência sobrevoa o texto com leve ar de riso.
É claro como o sol o fato de que ninguém existe para viver uma rotina, e que manter sempre os mesmos hábitos é desprezível. Mudar, conhecer, despedir, perder, tão natural quanto respirar, e que o texto insiste em dar ar de suprema importância. As diferenças de opinião divergem de uma infundada capacidade de apreciação mútua de existir. E você não entendeu? Muito menos eu.
Agora, vamos a realidade, mais patético que esse texto; e patético é uma frase que mesmo de brincadeira para mim é difícil de engolir; é o comentário do caro Sr. smith.
Lendo atentamente pode se perceber falsidade maior do que o comentário injustamente apagado que deixei aqui. Você logo vê que foi um comentário qualquer, inútil, que dispensava existência, e que, pela sua fonte que tem gostos otakus duvidosos, não poderia ser de outra forma.
E sim, crueldade insólita e gratuita. Porque é assim que funciona quando o Sr. Cellophane é agredido pela queria Tia.
E, mais do que isso, é assim que ele fica quando a Tia pensa que ele está com raiva e brinca com o fato dela achar que ele esteja escrevendo algo aqui com pensamentos malignos...
Por que, a pergunta fundamental, como eu poderia estar mesmo escrevendo isso malignosamente quando estou assistindo/ouvindo Toy Story 2, O MELHOR FILME DA PIXAR?
Não tem grito no mundo que expresse essa sensação de bem estar e alegria...
^^
Então...
Que a Monique continua por aqui pra me influenciar a escrever essas coisas estranhas e aceitavelmente debilitadas...
Porque no meu blog mesmo já não tenho mais animo de escrever... =P
xD
Espero que o comentário seja feliz e nos padrões mínimos para manterem ele aqui...
Só assim ele poderá existir para contar a história de como é ser um comentário...
Porque imaginem, se o comentário rasga e colocam ele na prateleira?
Não é mesmo Monique?
Eu sei que sim...
Hehehehe...
Até mais...
Fuis

Mokitty disse...

Bem, podem acreditar, mas houve uma coisa inédita (será)por aqui: eu me senti culpada! Yay! Culpa de quem?
Desse zé-mané do "rodney"... ¬¬
Bem, sobre o comentário dele que foi de-le-ta-do, não se preocupem que não estão perdendo nada.
Foi só uma traquinagem... XD
Mas podem ter certeza que foi divertido... :D
Assim, venho me retratar em pó e cinzas... T^T Mas existem coisas que precisam ser feitas... LOL

Cleidiane disse...

Triste triste isso do fim e tals...
principalmente quando você sabe a data aproximada do fim...muita gente fica triste com a morte, que é considerada o fim mesmo (sem entrar na questão das religiões tá...), mas a morte virá...isso é um fato, então temos que conviver com isso e viver nossas vidas da melhor maneira possível...
Quanto ao fim de coisas do dia a dia...se forem boas, a lembrança é o melhor remédio...se forem ruins, tiramos algo para aprender e esquecemos o resto.
Esse é o ponto...tem q tirar o melhor das coisas.
Monique você me faz pensar em muitas coisas com seus post sabia? É minha hora de reflexão...
Sou sua fã...=D
E como eu já vi por aí: Monique para Presidente!!!
bjos bjos

Chris disse...

Sabe, após ler as duas primeiras linhas, eu pensei que você tava fechando o blog... aí fiquei tipo "jáá? O__O" xDD
Sabe, já ouvi falar que o que diferencia o ser humano dos outros animais (entre outras coisas) é que o ser humano é o único que tem consciência da sua própria morte, isto é, é o único que sabe que um dia vai morrer. Isso deu a ele várias limitações e consciências também... o.o

Eu nunca tinha pensado muito sobre isso, mas acho que o cachorro do vizinho e os passarinhos que voam na janela não estão exatamente preocupados com isso...
E talvez isso seja uma coisa boa. Sei lá. Vou parar de filosofar, seus posts já se encarregam da minha cota diária de filosofia~ >w<''
*ainda bem que não é mesmo diário, que se não, não sei se aguentaria~ xDD*

In a good way, of course. ;D

Mokitty disse...

Embora uma consideração teleológica se trate sobre o fim em suas diversas formas e embora esse post possa ser interpretado de diversas maneiras, eu não estou falando da morte desta vez...
Estou apenas divagando sobre como as coisas terminam.
Enfim, esse pequeno esclarecimento é apenas para que não pensem que estou de luto outra vez. ^^
Muito obrigada a todos os que comentam por aqui! :D

Kyamel disse...

Nossa, mas que lindo!!!!
Realmente, se o fim não existisse as coisas não seriam tão belas, nem inesqueciveis...........
Eu detesto o fim...detesto despedidas, mas acho que isso é essencial para a vida.
Bjos............

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